sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fato ou Ficção?

É difícil ser mero expectador da vida alheia. Parado em frente à tela da vida, filme passando em câmera lenta, sábado, quinta, manhã noite, um grande tanto faz, a programação se repete, o episódio eu já vi, o fim eu não sei.
A pausa para o intervalo é curta, um minuto de realidade, um momento de intimidade, corrida para o banheiro, volto pra frente da tela, a vida passa, continua de onde parou. Como uma novela chata, os personagens canalhas, as mulheres fúteis, tudo irreal, o sobrenatural, tudo soa exagerado, falso, longe, distante, irreal, escancarado. Escárnio, despudor, repúdio, ódio, comédia – intervalo. Corro pro banheiro. Pra vomitar, para urinar, para esvaziar, poder suportar. Volto correndo, troco o canal, e daí? Ninguém é normal.
E se o filme é de terror? Engole o comprimido, muita água, apaga a luz, o choro desce, o medo bate, aperta o peito, espreme a alma, resseca o corpo, dói em cada canto, lembrando que viver é sacrifício. E sem intervalos, sem ar, sem palavras, um vazio, um lapso, pro vácuo a vida sugada, lentamente, dolorosamente, insana, insípida, dormente, The End.
A comédia é fake, é pastelão, quem acredita na boca pintada, na tinta escorrendo pela cara do palhaço, no riso escancarado, forçado, doído. Quem acredita na lágrima pintada, na roupa colorida, no riso forçado, na piada repetida. Quem duvida da alegria emprestada, da risada gargalhada, da piada emprestada. E o palhaço acredita que seu riso é de verdade, que a alegria contagia e vive cego sem pensar na realidade que é sem graça e faz piada da solidão.
A aventura é planejada, calculada, como só a ficção sabe fazer – sem riscos, sem perigos, pirotecnia de TV. O herói era bandido, recuperado ainda que tarde, pisa na bola vira e mexe, nunca esquece seu passado. Bonito? Já vai tarde, nem a mocinha entendo porque se apaixonou. O tempo foi passando o happy end não chegava e a novela terminou.